Uma oficina, um barro, um nome.
Peças moldadas à mão e cozidas em forno de lenha — onde cada cicatriz do fumo é assinatura, e cada peça leva o nome do tempo.
Caldas da Rainha é, desde o século XV, terra de oleiros. Trabalhamos apenas com aquilo que já estava aqui antes de nós — e que, com sorte, continuará depois.
Cada peça nasce do gesto. Não há molde que substitua a mão do oleiro — nem tempo apressado que ensine a pausa certa antes de levantar a parede.
O forno a lenha atinge temperaturas que o elétrico ignora. O fumo desenha veios únicos sobre cada superfície — nenhuma peça sai igual à outra, e é exactamente isso que procuramos.
O barro vermelho de Caldas, herança da Margem Sul. Queimado em alta temperatura endurece e ganha a cor exacta da terra seca ao sol de agosto — quente, denso, mudo.
Argila líquida, branca ou pigmentada, aplicada antes da cozedura. Permite desenhar sobre o barro como quem escreve com os dedos no tempo — uma caligrafia que o forno depois gravará para sempre.
A olearia é pequena, o forno é um só, e cada peça espera a sua vez. Aqui ficam algumas das que saíram da roda e voltaram com o fumo.
A peça que dá nome à oficina
Jarro com máscara leonina, modelado à mão a partir do barro vermelho de Caldas da Rainha. O focinho é o gargalo; a juba, as goelas do próprio forno de lenha.
Nasceu de uma visita ao Museu José Malhoa, onde a tradição da faiança caldense se encontra com o imaginário dos ceramistas do século XIX. Leon é, ao mesmo tempo, jarro e máscara — serve água como se rugisse, e expulsa o silêncio da mesa.
O engobe é aplicado peça a peça, com pincel fino, e o cozimento no forno de lenha deixa marcas que não se repetem. Por isso cada Leon tem um focinho ligeiramente diferente, e uma juba que só ele tem.
A Cerâmica Leon abre as portas a quem queira ver o barro a girar, o forno a arder, e o engobe a secar ao sol. Marque visita, venha com tempo, saia com uma peça.